quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Tabu – Parte 2: Aborto Espontâneo

Mulheres que sofrem abortos espontâneos se tornam, às vezes, suspeitas de terem induzido o mesmo.
Já li muitos relatos de mulheres em que falam sobre as clínicas mal equipadas, os médicos sem escrúpulos e enfermeiras(os) sem preparo.
Algo muito comum há algumas décadas (que nos dias de hoje infelizmente ainda existe) era o preconceito contra mulheres que sofriam aborto espontâneo, até mesmo por parte da família. Tachadas de mulheres que não conseguiam “segurar filho”, poucas tinham acesso à informação sobre a naturalidade do fato.

A causa mais comum é a má formação do feto, ou seja, quando um defeito cromossômico impede o desenvolvimento do bebê e o aborto é a forma do corpo não levar adiante uma gravidez que não se desenvolve como deveria. Em outros casos, por complicações durante a gestação ou no parto, as mães acabam perdendo seus filhos. Às vezes nascem prematuramente e permanecem por algum tempo na incubadora, e por vezes infelizmente, acabam não resistindo.
É importante que as mulheres saibam que os abortos espontâneos nada têm a ver com o que elas fazem ou deixam de fazer e não devem de maneira alguma, se sentirem culpadas. É importante saber que muitas vezes o aborto espontâneo não vem de algo que a mulher fez, como atividades físicas, relações sexuais ou trabalho. Isso simplesmente acontece quando algo está errado e o organismo expulsa, sendo considerado o embrião problemático. A natureza é sábia e fala sempre mais alto. O conhecimento ajuda também futuras gestações. Quando se conhece as causas do aborto, a mulher pode se preparar melhor para uma futura gestação, realizando todos os exames necessários para constatar possíveis problemas, sempre com a ajuda de um profissional de sua confiança.

Certas pessoas parece que ‘disputam’ umas com as outras quem sofre mais: a mãe que perde no início da gestação, a que perde com a gravidez mais avançada ou a que chega a ter seu filho nos braços? Lamentável isso! A perda em si é dolorosa demais.

Há os que pensam que, a mulher que perde o filho no começo da gestação, não deve sofrer porque nem era um bebê ainda... absurdo sem tamanho!
Antes mesmo do embrião estar na barriga enquanto ele está nos nossos sonhos, a gente já deseja e ama mais que tudo! A gente já é mãe!

Cada pessoa sente e encara a dor da perda de uma maneira. O mínimo esperado de cada ser humano para com o próximo, é o respeito. A dor não tem prazo de validade. A superação varia de pessoa pra pessoa.
Jamais se esquece uma perda. Outro filho ou um já existente não ‘substitui’ o que se foi.
A perda nos causa angústia, culpa, dor e solidão.
Cada mulher se expressa de uma maneira.  E lamentavelmente a sociedade ainda não sabe como reagir diante de uma mulher que sofre com a perda. São tantos julgamentos, esquivações, palavras que ferem profundamente.
Pra quem não viu, aqui tem um post com uma mensagem que achei na internet que tem ‘dicas’ para quem não sabe como reagir diante da mulher que perdeu seu bebê.

Por aqui seria muito bom se algumas tantas pessoas lessem pra ver se ajudava em alguma coisa......



Beijo meninas!!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Tabu - Parte 1: Infertilidade

A infertilidade não é um problema dos outros. Cada vez mais acho que é uma questão de saúde pública. É assustador o número de casais que se veem nas teias deste drama.
Mas se são assim tantos como pode haver tanto desconhecimento e tanto tabu em relação a este assunto?

Desde que o mundo é mundo existem preconceitos, de todas as formas (triste), o único que vejo que até hoje em dia é muito pouco falado ou discutido, é a questão da infertilidade. Por que?

O preconceito começa quando o casal decide ter filhos. Não obtendo sucesso nas tentativas, geralmente a mulher que faz exames e investiga primeiro. Permanecendo o insucesso aí que o homem procura ajuda. E em muitos casos ainda tem alguns homens que ‘não dão o braço a torcer’ e acham um absurdo serem ‘acusados’ de inférteis.
Confundem infertilidade com virilidade.
O problema é do casal, portanto os dois devem se ajudar.

Aceitar a limitação do corpo é o primeiro passo, segundo os especialistas, para diminuir o próprio preconceito. A infertilidade é um luto a ser elaborado. Se não houver aceitação, permanece o sentimento de impotência.  O segundo é inteirar-se sobre o assunto, pois a informação atenua a resistência ao que é novo. Trocar experiências com pessoas na mesma situação também ajuda bastante, porque de começo achamos que isto está acontecendo somente conosco.

Pela questão da idade: se tem 30 anos ou mais, julgam ser sinônimo de não poder mais ter filhos, chamam de “seca”, de “velha”, dizem que o bebê vai nascer com “defeito” ou que jamais vão conseguir engravidar... Falam assim na cara dura como algo normal.

Se a mulher/homem/casal tem problemas de fertilidade e a única opção que tem para recorrer seja tratamentos como por exemplo a fiv, acham que eles tem que se separar, acham que os bebês concebidos por tratamentos nascerão com “defeito”, que essas coisas ‘não prestam’ e por aí vai...
Claro que todas nós queríamos poder conceber nossos filhos naturalmente, mas nem tudo é como queremos e nem na hora em que desejamos.
Não é justo que além do sofrimento gerado pela infertilidade que lhes sobreveio, esses casais sejam ainda "condenados" por recorrerem a um tratamento que pode trazer para os seus braços o filho tão desejado...

Parece que as pessoas precisam ofender e humilhar para se sentirem melhores. Há tempos comecei a me colocar mais no lugar do outro, quando alguém critica algo que fulano fez ou falou sempre digo: ‘e se fosse tu que estivesse no lugar dele, o que tu faria?’        ‘Ahhh eu iria fazer assim....’ ‘Ahh iria fazer assado’.
Não podemos saber. Na hora do desespero, da dor, da tristeza não sabemos como iremos reagir a tal acontecimento, não sabemos qual será a melhor forma de reagir...

A sociedade nos cobra perfeição. Precisamos ter um bom emprego, um casamento feliz, um corpo escultural e, ainda, filhos lindos. Devemos ser 'férteis' como um todo. Se saímos fora desse ‘padrão’ imposto, não está correto.
Queremos muito ser mães, mas não para sermos aceitas, não para estarmos ‘dentro das regras’, queremos ser mães por que este é o nosso desejo, a nossa vontade acima de tudo.
As pessoas ‘cagam’ regras sobre o que o outro passa. Virou um tribunal aberto, onde todo mundo julga todo mundo sem ter passado por situação semelhante.

Passeando pelas redes sociais vejo tanta coisa... tanta gente falando coisas que não sabem, que nunca passaram, como se fossem ‘expert’ no assunto. Minha intenção não é ofender ninguém, mas deveríamos mais seguido pôr a mão na consciência e
cuidar mais das coisas sobre as quais falamos.

.................................................

Como vocês devem ter percebido, no Facebook começou o tal do desafio da maternidade.
A minha opinião sobre isso, é que é mais uma ‘modinha’ das redes sociais como tantas outras que tiveram. Cada um sabe do que gosta, do que quer participar, mas muitos não sabem como fazer uso desta e outras redes sociais. O exagero de postagens falando abertamente sobre sua vida, sua rotina, fotos em demasia... Tudo o que é demais não é bom. Alguns dizem: ‘o facebook é meu e eu posto o que eu quiser’. Ok, está certo, mas minha intenção quanto a isso, é somente alertar.

Uma amiga muito querida, me contou o ‘tapa na cara’ que levou hoje, ao emitir a sua opinião sobre tal fato: por ainda não ter filhos (por problemas de fertilidade) e não concordar com o desafio, foi acusada de invejosa e recalcada.
Estou até agora chocada. Por que ninguém para pra pensar o que se passa com ela (com nós)? Por que acham que é frescura, drama a dor que a gente sente?
Não somos obrigados a aceitar tudo o que é colocado à nossa frente e quando expomos nossa opinião somos acusados e julgados cruelmente.

As amigas que tenho moram longe. Conversando com elas, percebo o quanto sofrem preconceito pela própria família, os quais deveriam ser os primeiros a estar do lado delas, por isso acabam encontrando o apoio que precisam, virtualmente, com outras mulheres que estão passando pela mesma situação.

O fato é que pra julgar, machucar, apontar o dedo, tem aos montes, mas para dar apoio e ouvir são pouquíssimos.

Beijo meninas!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Dois anos após a perda...

Quando um bebê decide vir ao mundo, nasce com ele uma mamãe. Uma mãe é mãe desde o primeiro instante. Mesmo quando a vida ainda é um minúsculo ser implantado no ventre, já somos mães do coração. Todo nosso pensamento, todo nosso cuidado se volta para esse serzinho que, tão minúsculo, já provoca emoções tão grandes.

A simples descoberta já nos traz um turbilhão de emoções inexplicáveis. A vida nunca mais vai ser a mesma. E nos perguntamos: "será que vou ser uma boa mãe?" "será que vou saber cuidar do meu bebê?"

Mas uma mãe não nasce mãe e não aprende a ser em escolas. Uma mãe é, e isso basta. Mãe sente, mãe adivinha, mãe aprende sofrendo, mãe sofre aprendendo.

Benditas são as mulheres! Se elas suportam uma das maiores dores, sentem sem dúvida a maior das felicidades. Uma mulher grávida é sempre algo sublime, ela tem algo de anjo e santo, uma aura invisível que reflete e ilumina seu rosto. Ela carrega nela a vida, um pedacinho dela mesma que vai um dia ter vida própria e isso é maravilhoso e assustador ao mesmo tempo.

Deve ser por isso que nos tornamos tão emotivas e choramos tão facilmente. Deve ser essa a razão de querermos estar satisfeitas em todos os nossos desejos.

Que a gravidez não é uma doença é verdade. Mas que não digam que é normal e que a pessoa pode viver normalmente, pois isso não é verdade. Todo o equilíbrio físico, psicológico e emocional fica balançado. Há ainda hoje civilizações onde as mulheres grávidas são tratadas como seres especiais e divinos.

Mãe que está descobrindo as alegrias da maternidade agora, deixe eu lhe dizer uma coisa: se você tem medo de não saber o suficiente para ensinar ao seu bebê os caminhos da vida, saiba que é com ele que você vai aprender a trilhar muitos desses caminhos. 

Viva a sua gravidez em todos os seus instantes e não se preocupe se está fazendo ou se fará as coisas certas ou erradas. Seu coração vai lhe ditar, confie nele! Aproveite ao máximo cada segundo, pois cada momento é único e esse privilégio não é dado a todos. Fale com seu bebê, faça carinho nele, sorria para ele; viva o mais serenamente possível. Acredite: esses momentos são preciosos!

E, sobretudo, você é uma pessoa agraciada! Deus os escolheu para que fizessem parte um do outro. Ele saberá, certamente, conduzi-los nesse maravilhoso caminho.

..............

Amanhã, dia 12 de Fevereiro de 2016, fazem dois anos da perda do meu bebezinho...
Dia também que é aniversário do meu marido. Sim, no mesmo dia do aniversário dele perdemos o nosso bebê, e como se não bastasse, enquanto eu estava no hospital fazendo a curetagem, o pai dele ia para outro hospital muito mal.
Meu marido nunca foi muito de festa, de comemorar o aniversário, mas depois de tudo o que aconteceu ele disse que não comemora mais.
Cada vez que leio a cartinha que meu marido escreveu, eu choro, ao lembrar de tudo o que passamos...

E o que dizer dois anos depois daquele turbilhão terrível em nossas vidas?
Difícil, muito difícil. E sempre vai ser ao lembrar.
Mas na vida tudo passa (até uva passa rs) mas jamais irei esquecer de cada detalhe do que vivi...

Se Deus quiser logo logo o seu(ua) irmãozinho(a) estará aqui conosco!!

Beijo meninas.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Carta de uma mãe que perdeu seu filho...

Olá meninas!
Uma vez vi essa mensagem e achei bem interessante, coloca o que muitas de nós passamos, sentimos, e seria muito útil se algumas pessoas lessem:

CARTA DE UMA MÃE QUE PERDEU SEU FILHO

Quando estiver tentando ajudar uma mulher que perdeu um bebê, não ofereça sua opinião pessoal sobre sua vida, suas escolhas, seus projetos para seus filhos. Nenhuma mulher nesta situação está procurado por opiniões (de leigos) sobre porque isto aconteceu ou como ela deveria se comportar.
Não diga: É a vontade de Deus. Mesmo se nós somos membros de uma mesma congregação, a menos que você seja um dirigente desta igreja e eu estiver procurando por sua orientação espiritual, por favor, não deduza o que Deus quer para mim. A vontade de Deus é que ninguém sofra. Ele apenas permite. Apesar de saber que muitas coisas terríveis que acontecem são permitidos por Deus, isto não faz estes acontecimentos menos terríveis.
Não diga: Foi melhor assim, havia alguma coisa errada com seu bebê. O fato de haver alguma coisa errada com o bebê é que me faz tão triste. Meu pobre bebê não teve chance. Por favor, não tente me confortar destacando isto.
Não diga: Você pode ter outro. Este bebê nunca foi descartável. Jamais será substituído. Eu morreria por esta criança, assim como você morreria por seu filho. Uma mãe pode ter dez filhos, mas sempre sentirá falta daquele que se foi. E outra: quando se tem problemas para engravidar, tudo fica bem mais difícil, a espera é angustiante demais.
Não diga: Agradeça a Deus pelo(s) filho(s) que você tem. Se a sua mãe morresse num terrível acidente e você estivesse triste, sua tristeza seria menor porque você tem seu pai?
Não diga: Agradeça a Deus porque você perdeu seu filho antes de amá-lo realmente. (Sim, a gente ouve esse tamanho absurdo!!!) Eu amava meu filho ou minha filha. Ainda que eu tenha perdido meu bebê tão cedo ou quando nasceu, eu o amava. A gente ama antes mesmo de ele ser concebido.
Não diga: Já não é hora de deixar isto para trás e seguir em frente? Esta situação não é algo que me agrada. Eu queria que nunca tivesse acontecido. Mas aconteceu e faz parte de mim para sempre. A tristeza tem seu tempo que não é o meu ou o seu.
Não diga: Eu entendo como você se sente. A menos que você tenha perdido um bebê, você realmente não sabe como eu me sinto. E mesmo que você tivesse perdido, cada um vivencia esta tristeza de modo diferente. Não me conte histórias terríveis sobre sua vizinha, prima ou mãe que teve um caso parecido ou pior. A última coisa que preciso ouvir agora é que isto pode acontecer seis vezes pior ou coisas assim. Estas histórias me assustam e geram noites de insônia assim também como tiram minhas esperanças. Mesmo as que tenham tido final feliz, não compartilhe comigo.
Não finja que nada aconteceu e não mude de assunto quando eu falar sobre o ocorrido. Se eu disser antes do bebê morrer... Ou quando eu estava grávida...não se assuste. Se eu estiver falando sobre o assunto, isto significa que quero falar. Deixe-me falar. Fingir que nada aconteceu só vai me fazer sentir incrivelmente sozinha.
Não diga: Não é sua culpa. Talvez não tenha sido minha culpa, mas era minha responsabilidade e eu sinto que falhei. O fato de não ter tido êxito, só me faz sentir pior. Aquele pequenino ser dependia unicamente de mim para trazê-lo ao mundo e eu não consegui. Eu deveria trazê-lo para uma longa vida e não pude dar-lhe ao menos sua infância. Eu estou tão brava com meu corpo que você não pode imaginar.
Diga: Eu sinto muito. É o suficiente. Você não precisa ser eloquente. As palavras dizem por si.
Diga: Ofereço-lhe meu ombro e meus ouvidos. Como é difícil ouvir isso!
Diga: Vocês vão ser pais maravilhosos um dia ou vocês são os pais mais maravilhosos e este bebê teve sorte em ter vocês. Nós dois precisamos disso.
Diga: Eu fiz uma oração por vocês. Mande flores ou uma pequena mensagem. Cada uma que recebi, me fez sentir que meu bebê era amado. Não envie novamente se eu não responder. Não ligue mais de uma vez e não fique brava (o) se a secretária eletrônica estiver ligada e eu não retornar sua chamada. Se nós somos amigos íntimos e eu não estiver respondendo suas ligações, por favor, não tente novamente. Ajude-me desta maneira por enquanto. Não espere tão cedo que eu apareça em festas infantis e ou chás para bebês ou vibre de alegria no dia das mães. Na hora certa estarei lá.
Se você é meu chefe ou companheiro de trabalho: Reconheça que eu sofri uma morte em minha família não é simplesmente uma licença médica. Reconheça que além dos efeitos colaterais físicos, eu vou estar triste e angustiada por algum tempo. Por favor, me trate como você trataria uma pessoa que vivenciou a morte trágica de alguém que amava. Eu preciso de tempo e espaço.

Por favor, não traga seu bebê ou filho pequeno para eu ver. Nem fotos. Se sua sobrinha está grávida, ou sua irmã teve um bebê há pouco, por favor, não divida comigo agora. Não é que eu não possa ficar feliz por ninguém mais, é só que cada vez que vejo um bebê sorrindo ou uma mãe envolta nesta felicidade, me traz tanta saudade ao coração que eu mal posso aguentar. Eu talvez diga olá, mas talvez eu não consiga reprimir as lágrimas. Talvez ainda se passarão semanas ou meses antes que eu fique pelo menos uma hora sem pensar nisso. Você saberá quando eu estiver pronta. Eu serei aquela que perguntará pelos bebês, ou como está aquele garotinho lindo? Acima de tudo, por favor, lembre-se que isto é a pior coisa que já me aconteceu. A palavra morte é pequena e fácil de dizer. Mas a morte do meu bebê é única e terrível. Vai levar um bom tempo até que eu descubra como conviver com isto.

E completo dizendo que jamais vou esquecer do meu anjinho. Somente serei feliz novamente quando seu/sua irmãozinho(a) chegar.




Mensagem retirada do Google e adaptada. FONTE: http://www.mensagenscomamor.com/mensagens/mensagens_confortar.htm